
Foto:Flagrante de primeira noite da Bossa Nova, o show "A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor", na faculdade de Arquitetura.
Em Nova York, na noite de 21 de novembro de 1962, haviam mais de três mil pessoas lotando o Carnegie Hall. Estavam todos ali para ouvir um novo estilo musical - a Bossa Nova.
Criada na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, por jovens musicos de classe média,a Bossa Nova nada mais era do que uma nova maneira de tratar o samba.
A nova batida, presente no violão de João Gilberto, no piano de João Donato e de Tom Jobim consolidava a fusão entre técnicas típicas da música do Brasil com infliência do jazz.
O show se tornara uma iniciativa "oficial" do Itamaraty para promover a musica brasileira nos EUA.
Entre os mitos que cercam o show do Carnegie Hall, um é o de que a bossa nova foi descoberta naquela noite. Não é verdade: Desafinado, sua canção - símbolo, havia vendido um milhão de cópias nos EUA naquele ano.
Outro mito a respeito da noite da bossa nova, é o que o show foi um fracasso.
O episódio seria premonitório do racha que logo diviria a bossa nova em "direita" e "esquerda", em "participantes" e "alienados". Após o golpe de 64, o compositor Geraldo Vandré dissera: "Temos de fazer música 'participante'. Os militares estão prendendo e torturando. A música tem de servir para alertar o povo. "
O disco que de fato rachou a bossa nova foi Opinião de Nara, de Nara Leão, o qual, além de ser um dos pontos altos do Teatro Opinião, foi a primeira reação artistica da esquerda ao golpe, inaugurando a "ideologia da pobresa".
Mas os gênios da Bossa Nova nem deram bola e seguiram seu caminho - não deixando de ser menos libertários e ousados por causa disso.