quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Tropicalismo


(Os tropicalistas. capa do cd tropicália.)
"A Tropicália foi o avesso da Bossa Nova". Assim, Caetano Veloso define o movimento que,ao longo de 1968, revolucionou o status quo da musica popular brasileira.
Dessa corrente, também participam Gilberto Gil e Tom Zé, e outros como, o trio Mutantes e as cantoras Gal Costa e Nara Leão.
Diferentemente da Bossa Nova, que introduziu uma forma original de compor e interpretar, a Tropicália não pretendia sintetizar um estilo musical, mas sim instaurar uma nova atitude. Sua intervenção na cena cultural do país foi, antes de tudo, crítica.
No início de 1967, esses artistas sentiam-se sufocados pelo elitismo e pelos preconceitos de cunho nacionalista que dominavam o ambiente da chamada MPB.
Argumentando que a música brasileira precisava se tornar mais "universal", Gil e Caetano tentaram conquistar adesões de outros compositores de sua geração. Porém, a reação desses colegas mostrou que, se aderissem mesmo à música pop, tentando romper a hegemonia das canções de protesto e da MPB politizada da época, os futuros tropicalistas teriam que seguir sozinhos.
Consideradas como marcos oficiais do novo movimento, as canções Alegria, Alegria (de Caetano) e Domingo no Parque (de Gil) chegaram ao público já provocando muita polêmica.
As guitarras elétricas da banda argentina Beat Boys, que acompanhou Caetano, e a atitude requeira dos Mutantes, que dividiram o palco com Gil, foram recebidos com vaias pela chamada linha dura do movimento estudantil. Para aqueles universitários, a guitarra elétrica e o rock eram símbolos do imperialismo norte - americano e, portanto, deviam ser rechaçados do universo da música popular brasileira. No entanto, não só o júri do festival mas grande parte do público aprovou a nova tendência.
O movimento só passou a ser chamado de tropicalista a partir de 5 de Fevereiro de 1968, devido a um artigo publicado no jornal Ultima Hora, intitulado "A cruzada tropicalista".
Em maio de 1968, o estado - maior tropicalista gravou em São Paulo Tropicália, álbum coletivo com caráter de manifesto.
Ritmos como o Bolero e o Baião, indicavam o procedimento tropicalista de enfatizar a cafonice, o aspecto Kitsch da cultura brasileira. Alienados com a cultura da geração hippie, os tropicalistas também questionaram os padrões tradicionais da chamada boa aparência, trocando-a por cabelos compridos e roupas extravagantes.
em Outubro,finalmente, os tropicalistas conseguiram um programa semanal na Tv Tupi. A influência do movimento ficou evidente em dezenas de canções concorrentes no IV Festival de Música Popular Brasileira. A decisão do júri refletia o grande impacto da Tropicália somente um ano após o lançamento de suas primeiras obras.
Com o endurecimento do regime militar no país, as interferências do Departamento de Censura Federal já haviam se tornado costumeiras; canções tinham versos cortados, ou eram mesmo vetadas integralmente. A decretação do Ato Institucional n° 5, em 13 de Dezembro de1968, oficializou de vez a repressão politica a ativista e intelectuais. As detenções da Caetano e Gil, em 27 de Dezembro, precipitaram o enterro da Tropicália, embora sua morte simbólica já tivesse sido anunciada nos eventos do grupo.